I am the Earlybird

Carbon molecules with opposable thumb prone to the most distraught fantasies.

formascompersivas:

“Todos os problemas do homem derivam da sua incapacidade de estar sozinho num quarto quieto” Blaise Pascal

As pessoas não suportam estar sozinhas. Para quem duvida disso, sugiro tentar ficar 30 segundos do lado de um conhecido sem falar nada, ou sem que o outro fale. Boa parte das conversas,…

To My Son

French photographer living and shooting in Brazil. Amazing pics!

Woodkid - ‘THE GOLDEN AGE’ feat. Max Richter ‘EMBERS’ (Official HD Video)

 

por Murilo Leme <3
 
Era uma vez uma fazendeira chamada Vera. Vera Cruz. Tinha uma fazenda onde criava vacas. As vacas, naturalmente, não escolhiam nascer na fazenda dela em vez de nascer nas fazendas vizinhas mas, obviamente, nasciam. E no momento considerado devido pela fazendeira, eram marcadas, com ferro em brasa, com o sinete da fazenda - a marca VC, Vera Cruz.
E passavam a viver vida de vaca. Quando ficavam adultas e tinham bezerrinhos, por exemplo, apenas uma porção do leite ia para o filhote. O resto, os empregados de Dona Vera tiravam para vender no mercado. Claro que faziam isso sem pedir ou sondar o consentimento das vacas. Entretanto, Dona Vera considerava que isso era uma obrigação das vacas. Afinal de contas ela as vacinava, dava-lhes bons pastos, então elas deviam a vida que levavam a Dona Vera que, em troca, tinha o direito de arrancar-lhes tributo sem ter de pedir consentimento - o tributo do leite.
Além disso, as vacas não tinham licença para visitar as fazendas vizinhas automaticamente. Quem permitia que fizessem isso, se quisessem, era Dona Vera. Lugar de vaca nascida em Vera Cruz é em Vera Cruz, dizia dona Vera Cruz. E a marca de ferro em brasa não deixava dúvida: nascera na fazenda de Vera Cruz, era da fazenda de Vera Cruz. 
Dona Vera, porém, era boa administradora, e sabia que não bastava impor às vacas o tributo do leite e aos maridos das vacas o tributo da carne (por uma ótima vida que levavam na fazenda, os bois podiam, sem consentimento, ser castrados e, quando Dona Vera achasse conveniente, ser mortos para venda da carne). Era preciso fazer os animais orgulharem-se de tudo aquilo - de serem obrigados a dar leite para Dona Vera, de serem mortos para Dona Vera vender a carne, de só poderem transitar entre a fazenda de Dona Vera e outras fazendas com o consentimento de Dona Vera Cruz. Então Dona Vera criou escolas para ensinar às vacas o quanto elas eram felizes por terem nascido em Vera Cruz e por estarem sujeitas às regras vigentes em Vera Cruz.
E deu resultado. Quando, nos grandes festivais anuais de vacas, as vacas de Dona Vera tinham oportunidade de encontrar vacas de outras fazendas, mostravam, com orgulho, a marca do ferro em brasa, VC, e afirmavam que a maior felicidade do mundo era terem nascido nas terras de Vera Cruz. E ficavam indignadas quando as vacas de outras fazendas também se orgulhavam de suas respectivas origens, pois para elas aquelas outras vacas cometiam um terrível equívoco: não entendiam que nascer em Vera Cruz obviamente conferia superioridade em relação a outras origens.
Houve até uma grande competição futebolística disputada por equipes de vacas de várias fazendas. Como as vacas têm quatro pernas, o jogo era disputado por duas equipes de 22 vacas cada uma e com duas bolas em campo. O boi goleiro, porém, era um só, porque dona Vera queria mostrar que a superioridade masculina é um mito e, obviamente, um único goleiro para defender potencialmente duas bolas ao mesmo tempo é uma forma eficiente de desancar com o complexo de superioridade de qualquer macho.
Um dia, numa dessas competições, as vacas de Dona Vera perderam feio, e houve consternação geral no rebanho. Choro, lágrimas. Como poderia ser diferente? Afinal, como explicar que uma equipe com tantos privilégios exclusivos levasse a pior? Pois não eram só as vacas de Dona Vera que tinham o privilégio de pagar o tributo do leite para a competente e bondosa Dona Vera, e não para qualquer fazendeiro antipático da vizinhança? Não eram apenas os bois de Dona Vera que tinham o privilégio de dar sua vida para aumentar os lucros de tão insigne patroa? Os outros bois, lá das outras fazendas, davam suas vidas para aumentar o lucro de patrões muitas vezes malvados, sem coração, sem princípios, sem nada. 
Dona Vera era realmente incrível. Criou um passaporte para as vacas, a fim de que elas, se quisessem visitar fazendas vizinhas, tivessem seu desejo apreciado pela administração da fazenda (ela contava com um grupo de capatazes mais competentes, até, do que os técnicos de futebol do Brasil) e, caso aprovada a saída temporária da fazenda, os passaportes eram carimbados. Já se viu que alma magnânima era Dona Vera. Só uma vez ela se irritou, com uma vaca que alegou ter nascido no mundo, e não na fazenda: o ferro em brasa caracterizando-a como restrita à fazenda de Dona Vera tinha sido uma imposição de Dona Vera, não ideia da própria vaca, que obviamente não tinha nenhum interesse em ficar restrita a este ou aquele território, ora essa, por que teria? O passaporte, também, tinha sido uma imposição de Dona Vera pois, em tempos priscos, os animais nasciam e transitavam por onde quisessem, sem qualquer formalidade (dizem que era assim no início do mundo). Essa vaca rebelde foi considerada anarquista por Dona Vera, e teve o destino dos bois, em vez de ter o destino das vacas.
Entretanto, como a vaca rebelde influenciou outras vacas, Dona Vera criou uma sentença que fez afixar pela fazenda toda: Vera Cruz, ame-a ou deixe-a! Qualquer vaca que não estivesse satisfeita e orgulhosa de ser escravizada por Dona Vera passaria a ter o direito de procurar outra fazenda onde as condições fossem mais satisfatórias, se essa fazenda existisse!
As que ficaram, entretanto, foram instadas a serem patriotas, isto é, a se orgulharem do ferro em brasa que significava que, em vez de animais do mundo (como, dizem, acontecia nas eras priscas), eram animais de Vera Cruz, sujeitos às regras de Vera Cruz, e com deveres em relação a Vera Cruz e dependendo da licença de Dona Vera Cruz para poderem transitar pelo mundo. Além disso, Dona Vera estabeleceu que as vacas teriam, cada uma, uma baia específica, de endereço certo, onde pudesse ser encontrada, e não mais poderiam simplesmente perambular descompromissadamente por onde quisessem, dormindo onde quisessem.
Então as coisas mudaram. Quando novas competições de futebol foram criadas, as vacas, mais do que nunca, gritavam que se orgulhavam de ser escravas de Vera Cruz, orgulhavam-se de terem sido catalogadas, logo ao nascerem, como pertencentes a Vera Cruz e não ao mundo como suas antepassadas de eras primitivas, orgulhavam-se de terem sido marcadas com ferro em brasa como de propriedade de Vera Cruz, orgulhavam-se de não ter licença para ir a outras fazendas sem registro no passaporte competentemente criado por Dona Vera Cruz, orgulhavam-se de serem obrigadas a dar parte do leite dos bezerrinhos para Dona Vera Cruz, e os bois orgulhavam-se de morrer pela terra que tanto amavam ou, dito em outras palavras, para aumentar os lucros de Dona Vera Cruz.
De modo que, no campeonato de futebol seguinte, imbuídas do patriotismo de Vera Cruz, o choro quando uma equipe de vacas de outra fazenda ganhou o jogo foi imensamente maior. Pois as vacas não mais consideravam o esporte uma coisa para ter prazer, isto é, para ver gols, quanto mais gols melhor o jogo, não importa quem ganha ou quem perde porque ganhar e perder é o pressuposto do jogo, importa para o espectador ver o máximo de gols (o time que perde, portanto, proporciona melhor espetáculo para o espectador do que o time que ganha, isto é o óbvio ululante, e por isso Filipão deveria ser promovido). Não. O importante é defender Vera Cruz. O importante é exaltar a felicidade de ser escravo, de não ser livre como as vacas pré-históricas. Tão importante que não mais era considerado correto vibrar com os gols. Depende de quem fez o gol. Se foi de Vera Cruz, palmas e prazer. Se foi de equipe do fazendeiro vizinho, sofrimento atroz, lágrimas, dor. Pois o prazer, no esporte, deixou de ser importante. O importante é ter sido marcado com ferro em brasa como propriedade de Vera Cruz. O importante é ser infeliz quando as coisas não forem bem para Dona Vera.

Sempre me disseram que futebol e política não se misturam, foi mal, mas depois dessa copa do mundo é impossível continuar acreditando nisso. Não gosto de futebol, de política sim, gosto. Agora pera aí, quem vive o mundo do futebol sabe muito bem que tudo no futebol também é política, e como tudo no mundo político, no futebol também tem muito, muito dinheiro envolvido.

A copa serve para consagrar um time de futebol como vencedor de um grande torneio? Serve. Também. Mas acreditem, vai muito além disso.

A reeleição da presidenta Dilma no 1º turno da eleição em outubro estava diretamente ligada à vitória ou não da seleção brasileira… Que foi massacrada pela Alemanha. Ufa. Agora a CBF quer declarar apoio ao Aécio. (Rumores dizem que as faixas brancas do gramado do Maracanã foram pintadas com um pó branco enviado por sua acessoria, pago pela família Perrela).

Convidados pelo Itamaraty, na abertura da copa tivemos a ilustre presença de um ditador assassino e no encerramento a de um enrustido Putin (pelo menos ele estava de camisa).

Também tivemos a presença de muitos hermanos argentinos. Hermanos para eles, para nós não (para mim sim). Brasileiros respondem as ofensas com mais ofensas, e naquele jogo de gato e rato todo mundo fala “foram eles que começaram”. Quanta maturidade.

Ah, aí tivemos a final. Fui só eu que achei muita ironia ver os brasileiros torcendo para a seleção que nos eliminou da copa só para não ter que torcer para a Argentina? Hermanos, <3 (pelo menos da minha parte).

Aí pra encerrar tem a mídia, falando que a copa foi linda. Foi? Foi. Para todos os brancos de classe média/alta que não foram expulsos de suas casas e conseguiram um ingresso num esqueminha maroto para ver esse ou aquele jogo.

Resumo disso tudo, quero um novo bordão para substituir o “quero ver na copa”.

A futilidade é a alma gêmea da ignorância. A arrogância é a alma gêmea da incompetência. A vaidade é a mãe delas.

Mark W. Baker

Essa frase me diz muito sobre a derrota da seleção no jogo de hoje. CHUPA BRASIL!

suhailspectrum:

"Red Viper" - suhailspectrum

After getting frustrated numerous times, I finally finished painting Prince Oberyn, seeing his adaption in the TV series made me love his character even more. There’s still some rough bits and pieces, but me and clothing do not get on, so it’s onto the next piece for now.

DEEPER THAN YESTERDAY